sábado, 6 de março de 2010

Sindrome de sem direçao

Em uma disciplina do mestrado a professora adotou uma forma avaliativa alternativa ao exame. Após cada aula devemos escrever em nosso caderno de aula reflexoes ou comentários sobre os temas discutidos em sala. Também construiu um blog para que pudessemos debater nele o que nao consigamos fazer em clase.

Esse método pode parecer para alguns ou algumas uma forma muito relaxada de avaliaçao. No en tanto, para mim, está sendo muito trabalhosa já exige um constante pensar e repensar sobre o que se fala, se lê e se pensa. Además, tenho que ordenar esse pensamento de forma lógica e racional para que seja entendível e que possa levar a mais debate.
Porém, esse esforço sobrenatural que tenho feito para conseguir acompañar o ritmo e escrever me fez perceber uma outra coisa: a dificuldade que temos, ou tenho, que pensar sozinha. Pensar sobre algo sem que várias posiçoes sejam postas na mesa, sem que o movimento social já tenha pensado na possível soluçao, descobrir novas questoes, ou simplemente, perguntar.

Eu, que venho e defendo a organizaçao em movimentos sociais estou sofrendo por nao saber pensar sem eles, ou melhor, por me dar conta de que nao pensava, que tomava partido. Uma decepçao enorme, comigo e com os movimentos.

Nao quero aquí dizer que os movimentos impoem um pensamento, mas de alguna forma nos obriga a tomar partido, a escolher um lado.

Muitos movimentos procuram levantar debates e questoes com os seus militantes, mas isso nao quer dizer que busquem uma reflexao para além do que já se propoe certas partes. É simplismente optar pelas alternativas já dadas e pensadas por aqueles que sao espertos nisso, a direçao!

Agora entendo o que significa a sindrome de nao ter direçao. É uma angustia profunda provocada por uma inquietude somada com o medo de agir e errar. É nao saber para onde ir e nem a quem recorrer. Nao saber o que pensar, pois ja está tao acostumada a seguir o que é certo, políticamente correto, de esquerda, alternativo, coerente que quando sae um pouco dessa linha, ou se distancia, sofre.

Que bom ter sindrome de direçao! Agora posso tentar pensar, sejá sozinha ou em um coletivo.

Um comentário:

  1. Antonio González Villegas8 de março de 2010 às 06:34

    Estimada Rebeca:

    O certo é que lin a tua mensaxe dun xeito casual, mais non deixa de sorprenderme un feito que pensei que era máis minoritario: o feito de que o que ti pensas no relativo a pensamento, a isa falta de conciencia crítica no tocante ás correntes de pensamento e aos movementos sociais, é compartida por máis xente da que pensas.

    Non falo soamente do alumnado, senon tamén dalgún profesor, temeroso de ser descalificado por desatender a liña oficial das doutrinas (si, si, soa mal doutrina, pero non atopo outra palabra que poida definir o acriticismo no que estamos sumidos). Os silenzos nas aulas, cada vez que o profesor pide debate, opinións, etc, é unha metáfora do medo a dicir, expresar, escribir algo que fira a intelixencia ou a sensibilidade dalguén.

    Non se pode culpar a aquel que non se expresa de xeito libre, senon responsabilizar a aquel que cunha máscara de falsa tolerancia reprime de xeito consciente ou inconsciente á libre expresión... máis alá do liñas establecidas de pensamento ou opinión.

    Tamén creo que tes razón na falta de operatividade dos debates. Non vexo solucións das xa propostas de xeito oficial, véndose como absurdas moitas propostas que non son ni valoradas. En fin , a veces o pensamento colectivo ten estos rasgos, non sempre axuda a fomentar a aportación individual.

    Non teño medo nin me sinto culpable por pensar só, ao marxe dun colectivo ou dun movemento. Se ti pensas soa, aínda que diferente, benvida ao mundo pintado coa paleta de cores máis completa, Rebeca.

    "Non quero pensar en gobernar o mundo, soamente quero ser digno de herdalo"

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