sábado, 26 de dezembro de 2009

A igreja tem rezão!






O diabo existe e o seu nome é CAPITALISMO.
Ele esta por todas as partes. Quanto mais tenta fugir, mais parece que ele está por perto, alí te tentando de todas as maneiras possíveis.

Tem que ter muito cuidado para que ele não entre em sua mente completamente, porque de alguma maneira ele está!  
Mas ele nao é o super poderoso. À esse dou o nome de ECOSSOCIALISMO.

Por ele você deve estar alí, estudando, relembrando, entendo, tentando chegar ao máximo perto dele… para que no final tudo dê certo!!! 
O certo eu chamo de REVOLUÇÃO!!!

HASTA LA VITORIA!!!


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Quando tudo parace estar bem, na maior perfeição do mundo, algo vem e destroe e faz tudo ficar péssimo. A angustia toda conta de você e nada mais é colorido como antes. Nada funciona.
Até quando isso vai durar?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Final de ano

Reflexão:

O que fiz? Muitas coisas. Difícil enumerá-las.

Foi bom? Deveria ter realmente me esforçado. Mas no ano que vem será diferente!

O que mudou? Ainda estou digerindo as mundanças.

Motivo de festa? Se não tiver a gente inventa. O bom é festejar!!!

Motivo de tristeza? Não vamos falar disso. Que tal voltar ao tema da festa?

Onde será? Hahahhaha ainda sem endereço certo.

Companhias? Estão faltando as minhas amigas queridas e minha familia. O resto está completo!

Perspectivas? As melhores, será um ano par! Os astros estão a meu favor. Queria até um tarô!!

Supertições? Várias, mas como estou longe do mar terei que pesquisar novos rituais.

Palavras finais. Boas festas!!!

Quatro frases que fazem o nariz do Pinóquio crescer




Eduardo Galeano


1 - Somos todos culpados pela ruína do planeta.

A saúde do mundo está feito um caco. ‘Somos todos responsáveis’, clamam as vozes do alarme universal, e a generalização absolve: se somos todos responsáveis, ninguém é. Como coelhos, reproduzem-se os novos tecnocratas do meio ambiente. É a maior taxa de natalidade do mundo: os experts geram experts e mais experts que se ocupam de envolver o tema com o papel celofane da ambiguidade.

Eles fabricam a brumosa linguagem das exortações ao ‘sacrifício de todos’ nas declarações dos governos e nos solenes acordos internacionais que ninguém cumpre. Estas cataratas de palavras - inundação que ameaça se converter em uma catástrofe ecológica comparável ao buraco na camada de ozônio - não se desencadeiam gratuitamente. A linguagem oficial asfixia a realidade para outorgar impunidade à sociedade de consumo, que é imposta como modelo em nome do desenvolvimento, e às grandes empresas que tiram proveito dele. Mas, as estatísticas confessam.. Os dados ocultos sob o palavreado revelam que 20% da humanidade comete 80% das agressões contra a natureza, crime que os assassinos chamam de suicídio, e é a humanidade inteira que paga as consequências da degradação da terra, da intoxicação do ar, do envenenamento da água, do enlouquecimento do clima e da dilapidação dos recursos naturais não-renováveis. A senhora Harlem Bruntland, que encabeça o governo da Noruega, comprovou recentemente que, se os 7 bilhões de habitantes do planeta consumissem o mesmo que os países desenvolvidos do Ocidente, "faltariam 10 planetas como o nosso para satisfazerem todas as suas necessidades." Uma experiência impossível.

Mas, os governantes dos países do Sul que prometem o ingresso no Primeiro Mundo, mágico passaporte que nos fará, a todos, ricos e felizes, não deveriam ser só processados por calote. Não estão só pegando em nosso pé, não: esses governantes estão, além disso, cometendo o delito de apologia do crime. Porque este sistema de vida que se oferece como paraíso, fundado na exploração do próximo e na aniquilação da natureza, é o que está fazendo adoecer nosso corpo, está envenenando nossa alma e está deixando-nos sem mundo.

2 - É verde aquilo que se pinta de verde.

Agora, os gigantes da indústria química fazem sua publicidade na cor verde, e o Banco Mundial lava sua imagem, repetindo a palavra ecologia em cada página de seus informes e tingindo de verde seus empréstimos. "Nas condições de nossos empréstimos há normas ambientais estritas", esclarece o presidente da suprema instituição bancária do mundo. Somos todos ecologistas, até que alguma medida concreta limite a liberdade de contaminação.

Quando se aprovou, no Parlamento do Uruguai, uma tímida lei de defesa do meio-ambiente, as empresas que lançam veneno no ar e poluem as águas sacaram, subitamente, da recém-comprada máscara verde e gritaram sua verdade em termos que poderiam ser resumidos assim: "os defensores da natureza são advogados da pobreza, dedicados a sabotarem o desenvolvimento econômico e a espantarem o investimento estrangeiro." O Banco Mundial, ao contrário, é o principal promotor da riqueza, do desenvolvimento e do investimento estrangeiro. Talvez, por reunir tantas virtudes, o Banco manipulará, junto à ONU, o recém-criado Fundo para o Meio-Ambiente Mundial. Este imposto à má consciência vai dispor de pouco dinheiro, 100 vezes menos do que haviam pedido os ecologistas, para financiar projetos que não destruam a natureza. Intenção inatacável, conclusão inevitável: se esses projetos requerem um fundo especial, o Banco Mundial está admitindo, de fato, que todos os seus demais projetos fazem um fraco favor ao meio-ambiente.

O Banco se chama Mundial, da mesma forma que o Fundo Monetário se chama Internacional, mas estes irmãos gêmeos vivem, cobram e decidem em Washington. Quem paga, manda, e a numerosa tecnocracia jamais cospe no prato em que come. Sendo, como é, o principal credor do chamado Terceiro Mundo, o Banco Mundial governa nossos escravizados países que, a título de serviço da dívida, pagam a seus credores externos 250 mil dólares por minuto, e lhes impõe sua política econômica, em função do dinheiro que concede ou promete. A divinização do mercado, que compra cada vez menos e paga cada vez pior, permite abarrotar de mágicas bugigangas as grandes cidades do sul do mundo, drogadas pela religião do consumo, enquanto os campos se esgotam, poluem-se as águas que os alimentam, e uma crosta seca cobre os desertos que antes foram bosques.

3 - Entre o capital e o trabalho, a ecologia é neutra.

Poder-se-á dizer qualquer coisa de Al Capone, mas ele era um cavalheiro: o bondoso Al sempre enviava flores aos velórios de suas vítimas... As empresas gigantes da indústria química, petroleira e automobilística pagaram boa parte dos gastos da Eco 92: a conferência internacional que se ocupou, no Rio de Janeiro, da agonia do planeta. E essa conferência, chamada de Reunião de Cúpula da Terra, não condenou as transnacionais que produzem contaminação e vivem dela, e nem sequer pronunciou uma palavra contra a ilimitada liberdade de comércio que torna possível a venda de veneno.

No grande baile de máscaras do fim do milênio, até a indústria química se veste de verde. A angústia ecológica perturba o sono dos maiores laboratórios do mundo que, para ajudarem a natureza, estão inventando novos cultivos biotecnológicos. Mas, esses desvelos científicos não se propõem encontrar plantas mais resistentes às pragas sem ajuda química, mas sim buscam novas plantas capazes de resistir aos praguicidas e herbicidas que esses mesmos laboratórios produzem. Das 10 maiores empresas do mundo produtoras de sementes, seis fabricam pesticidas (Sandoz-Ciba-Geigy, Dekalb, Pfizer, Upjohn, Shell, ICI). A indústria química não tem tendências masoquistas.

A recuperação do planeta ou daquilo que nos sobre dele implica na denúncia da impunidade do dinheiro e da liberdade humana. A ecologia neutra, que mais se parece com a jardinagem, torna-se cúmplice da injustiça de um mundo, onde a comida sadia, a água limpa, o ar puro e o silêncio não são direitos de todos, mas sim privilégios dos poucos que podem pagar por eles. Chico Mendes, trabalhador da borracha, tombou assassinado em fins de 1988, na Amazônia brasileira, por acreditar no que acreditava: que a militância ecológica não pode divorciar-se da luta social. Chico acreditava que a floresta amazônica não será salva enquanto não se fizer uma reforma agrária no Brasil. Cinco anos depois do crime, os bispos brasileiros denunciaram que mais de 100 trabalhadores rurais morrem assassinados, a cada ano, na luta pela terra, e calcularam que quatro milhões de camponeses sem trabalho vão às cidades deixando as plantações do interior. Adaptando as cifras de cada país, a declaração dos bispos retrata toda a América Latina. As grandes cidades latino-americanas, inchadas até arrebentarem pela incessante invasão de exilados do campo, são uma catástrofe ecológica: uma catástrofe que não se pode entender nem alterar dentro dos limites da ecologia, surda ante o clamor social e cega ante o compromisso político.

4 - A natureza está fora de nós.

Em seus 10 mandamentos, Deus esqueceu-se de mencionar a natureza. Entre as ordens que nos enviou do Monte Sinai, o Senhor poderia ter acrescentado, por exemplo: "Honrarás a natureza, da qual tu és parte." Mas, isso não lhe ocorreu. Há cinco séculos, quando a América foi aprisionada pelo mercado mundial, a civilização invasora confundiu ecologia com idolatria. A comunhão com a natureza era pecado. E merecia castigo. Segundo as crônicas da Conquista, os índios nômades que usavam cascas para se vestirem jamais esfolavam o tronco inteiro, para não aniquilarem a árvore, e os índios sedentários plantavam cultivos diversos e com períodos de descanso, para não cansarem a terra. A civilização, que vinha impor os devastadores monocultivos de exportação, não podia entender as culturas integradas à natureza, e as confundiu com a vocação demoníaca ou com a ignorância. Para a civilização que diz ser ocidental e cristã, a natureza era uma besta feroz que tinha que ser domada e castigada para que funcionasse como uma máquina, posta a nosso serviço desde sempre e para sempre. A natureza, que era eterna, nos devia escravidão. Muito recentemente, inteiramo-nos de que a natureza se cansa, como nós, seus filhos, e sabemos que, tal como nós, pode morrer assassinada. Já não se fala de submeter a natureza. Agora, até os seus verdugos dizem que é necessário protegê-la. Mas, num ou noutro caso, natureza submetida e natureza protegida, ela está fora de nós. A civilização, que confunde os relógios com o tempo, o crescimento com o desenvolvimento, e o grandalhão com a grandeza, também confunde a natureza com a paisagem, enquanto o mundo, labirinto sem centro, dedica-se a romper seu próprio céu.

Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio

sábado, 25 de julho de 2009

REBRIP rechaça o Golpe Militar em Honduras*

A confirmação no dia de ontem de um golpe militar em Honduras, com o sequestro e translado ao exterior do presidente legitimamente eleito, Sr. Manuel Zelaya, nos remete na América Latina a um passado que gostaríamos de ver definitivamente afastado, mas que insiste em seguir tentando se manter vivo – o da truculência militar contra os poderes instituídos e a sociedade organizada. Uma preliminar importante no caminho da integração dos povos é a sua possibilidade de organização e debate da sociedade em um ambiente democrático e livre. Esse princípio está sendo violado pelo golpe de Estado capitaneado pelos militares em Honduras. O estopim para o golpe foi exatamente uma consulta democrática ao povo hondurenho sobre o redesenho da institucionalidade do país. Os líderes políticos e sociais comprometidos com a realização da consulta estão hoje em Honduras sob ameaça de repressão e prisão, e esse quadro deve ser denunciado. Em um quadro de integração regional, como o que vem sendo desenhado em especial com a Cúpula de chefes de Estado latino-americanos e caribenhos, em dezembro do ano passado, em Salvador, Bahia, a Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, e a reunião da OEA, em San Pedro Sula , na própria Honduras, ambas esse ano, ou com o processo de integração em curso através da ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas, da qual Honduras faz parte), os acontecimentos de ontem em Tegucigalpa são intoleráveis. É preciso não apenas que os governos se manifestem, mas que tomem medidas duras que sinalizem o isolamento político do processo que é levado adiante pelos golpistas de Honduras, não reconhecendo o governo resultante do golpe, e mantendo seu reconhecimento ao legítimo presidente do país, que se encontra hoje fora de Honduras, Sr. Manuel Zelaya. Como rede brasileira, demandamos do governo brasileiro, e dos demais governos latino-americanos e das Américas, que contribuam fundamentalmente para a asfixia política dos golpistas hondurenhos, através de manifestações e ações nacionais e no âmbito das instâncias regionais existentes. Ainda deve ser cobrado da Comunidade Internacional que não reconheça e não negocie com os golpistas hondurenhos a qualquer título, o que implicaria o reconhecimento político de um governo oriundo da violência contra a institucionalidade e uma afronta às instituições democráticas da região. Nesse sentido, denunciamos também a repressão e exigimos a segurança da população. A REBRIP – Rede Brasileira pela Integração dos Povos - manifesta seu veemente protesto contra o golpe de Estado em Honduras, manifesta sua solidariedade ao povo hondurenho, aos militantes sociais ameaçados e ao presidente legítimo, Sr. Manuel Zelaya, e exige que o governo brasileiro não apenas mantenha sua condenação ao golpe, mas que coloque todo seu esforço diplomático para viabilizar o isolamento político dos golpistas e a reversão da situação de quebra da institucionalidade decorrente do golpe militar que teve lugar ontem.

Gênero e Poder

Essa é uma resenha do texto: Gênero e poder de Valéria Silvana Faganello Madureira. O texto trata dos conceitos de gênero e poder e de como eles estão relacionados. A autora inicia afirmando que existe diferenças entre homem e mulher. A diferença básica é o sexo, no entanto, essa diferença é transformada em desigualdades sociais que são naturalizadas. O conceito de gênero surge na década de 80 em um cenário em que os estudos feministas se centravam na mulher e tinha um caráter de denuncia da opressão vivida pelas mulheres. Os estudos de gênero vieram para acentuar as distinções entre o sexo e o que é socialmente construído para cada sexo, ou seja, diferenciar os sexos homem e mulher, dos papéis construídos historicamente, socialmente e culturalmente para os sexos, como o feminino e o masculino. Além de acrescentar as relações entre homens e entre mulheres como sujeitos diversos e construídos nas relações sociais. A autora introduz no seu texto dois conceitos importantíssimos quando tratamos de gênero, que é a identidade e os papeis. O primeiro por entender que ao chegarmos ao mundo, a sociedade através, principalmente, das suas instituições, nos impõem uma forma de agir, vestir, comportar-se, pensar que é diferenciada pelo sexo que temos, não levando em conta as outras formas de construção de identidade. E o segundo pelo fato de existir um padrão ideal tanto para mulher, o feminino, quanto para homem, o masculino, que exclui os sujeitos que não se enquadram nesses padrões. Existem autores que compreendem a identidade dos sujeitos como plural, construída constantemente, podendo ser contraditórias, inacabadas e fragmentadas. Concordo com essa idéia, pois acredito que a construção dos indivíduos se dá de maneira continuada ao longo da vida e não em um dado momento, e essa construção não é clara, convivendo com contradições, com inovações, com o antigo. Também concordo com a autora quando considera a dimensão “espaço-temporal” relacionada às sociedades distintas em trajetórias diversas que impossibilita a universalização do conceito de gênero em todas as sociedades. Assim como as concepções de mulher/homem, de feminino/masculino podem ser deferentes dentro do uma mesma sociedade. A polaridade entre o masculino e o feminino é apenas uma das dicotomias que vivemos na sociedade, tendo dificuldades na desconstrução dessa forma de perceber o mundo. Essa lógica binária dificulta também à compreensão do gênero que propõe a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade das relações sociais, negando a produção de desigualdades e de discriminações que geram os pré-conceitos. As relações de poder que se instauram nessa dualidade são elementos chaves para entendermos o conceito de gênero. Não tendo como referência o poder centralizado e sim o dinâmico que tem como condição indispensável a liberdade. Essa dualidade tem diferentes relações de poder formando uma nova dualidade, o dominador e o dominado que nas relações entre homem e mulher o dominador é o homem e a dominada é a mulher. Essa relação é considerada como normal, verdadeira que acaba por servir de referência, padrão para a construção dos novos sujeitos. Concordo com Saffioti quando coloca gênero, etnia, e classe social no mesmo patamar e que essas relações estão entrelaçadas de tal forma que é impossível a sua separação ou comparação nas relações de poder e devem ser levadas em conta na análise de uma sociedade igualmente. As relações de gênero nos possibilitam entender que os diferentes não são iguais e nem desiguais, apenas diferentes, e que as relações sociais são construções humanas que estão em constantes mudanças, abrindo possibilidades para a transformação dessas desigualdades para o respeito às diferenças.

Agenda 21 e Juventude: transformações para a sustentabilidade

A discussão modelo de desenvolvimento para a sociedade é pauta da esquerda mundial há vários anos. Os espaços de grande importância, como Fórum Social Mundial(FSM)têm como eixo a discussão de que um outro mundo é possível, incorporam as questões ambientais em suas temáticas, demonstrando que somente as mudanças dos modelos político, econômico e social são insuficientes para garantir a justiça, a eqüidade e a qualidade de vida para todos os habitantes da terra.De acordo com os estudos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgados em 2007,o planeta apresenta um quadro preocupante, principalmente para os países mais vulneráveis. A temperatura global tem aumentado de forma assustadora, sendo estimado um acréscimo de 5,4°C até o final do século, ameaçando vários ecossistemas. Segundo o IPCC (2007), 90% das mudanças climáticas têm causa na ação humana. A sustentabilidade, expressão que vem se popularizando, traz consigo a concepção de que é possível existir um processo de desenvolvimento que atenda as necessidades e as aspirações das gerações presentes e futuras. Busca-se outras formas de desenvolvimento que não acompanham a lógica do modelo de produção e consumo do sistema capitalista fundada na exploração sistemática e ilimitada de todos os recursos da Terra, incluindo os seres humanos. Durante a Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992, conhecida, também como Rio-92, a Agenda 21 foi um dos documentos centrais das discussões, juntamente com a Convenção sobre Mudanças Climáticas e a Convenção Sobre Diversidade Biológica, sendo os três assinados por Chefes de Estado nesse evento. Esse trio tratou de praticamente todas as grandes questões socioambientais, demonstrando a inter-relação entre eles e suas conseqüências em nossas vidas.A Convenção Sobre Diversidade Biológica é o principal fórum mundial na definição do marco legal e político para temas e questões relacionadas à biodiversidade ((http://www.cdb.gov.br/CDB). A Convenção sobre Mudanças Climáticas, assinada durante a Rio-92, entrou em vigor em 1994 propõe ações e diretrizes para o combate ao aquecimento global, por meio do protocolo de Quioto, e vem sendo discutida nas Conferências das Partes (COP).A Agenda 21 Global é um documento que está voltado para os problemas prementes de hoje e tem o objetivo de preparar o mundo para os desafios do próximo século. Ela reflete um consenso mundial e um compromisso político no nível mais alto no que diz respeito ao desenvolvimento e à cooperação ambiental. Reconhece que o desenvolvimento sustentável e a proteção do meio ambiente somente serão viáveis com o apoio das comunidades locais, que terão ações locais com a visão global dos problemas a serem enfrentados. Por isso, uma das grandes recomendações da Agenda 21 Global é que cada país signatário construa a sua própria Agenda 21. O Brasil tem a sua Agenda 21 e incentivo à construção de processos locais.A Agenda 21 tem sido um instrumento importante para a transformação da realidade. Quando se pensa em utilizá-la, é porque há uma reflexão de que a maneira como está se vivendo é insuficiente para perenizar a vida humana no planeta. É preciso, além da mudança nas relações entre pessoas e a natureza, mudar as relações entre os próprios seres humanos, repensando princípios e valores vigentes na sociedade. A Agenda 21 brasileira tem seus princípios baseados na Carta da Terra.A Agenda 21 traz no caminhar dos seus passos (mobilização e sensibilização; criação do fórum da Agenda 21; elaboração do diagnóstico participativo; elaboração, implementação e avaliação e monitoramento do plano de ação) a construção coletiva da práxis em todo o processo de planejamento e ação que devem resultar na transformação da realidade, tendo em vista a construção de um mundo sustentável, diagnosticando e entendendo os conflitos envolvidos e pactuando formas de resolvê-los. O processo de Agenda 21 significa, então, o exercício da democracia participativa, coloca à mesa o poder público e os setores econômicos e sociais da sociedade, pactuando cada passo a ser dado.A juventude não está deslocada dessa realidade. No Brasil, são 34 milhões de jovens, segundo dados do IBGE (2000). Esse segmento se organiza em diferentes espaços com o intuito de construir um mundo cada vez mais sustentável. Entre esses espaços, estão processos de Agenda 21 em escolas, comunidades, cidades, etc.Atualmente tem se discutido a construção da Agenda 21 da Juventude Brasileira. Esse processo visa organizar as juventudes para a discussão da sua realidade dentro de uma perspectiva ambiental, com o intuito de construir ações que contribuam para a transformação da realidade, levando em consideração suas peculiaridades como segmento.O tema mudanças climáticas também é pauta de discussão da juventude, uma vez que ela também sofre com o aquecimento global. Principalmente quando falamos de jovens das periferias das cidades e jovens do campo. Estes, além de sentirem a opressão de classe, etária, étnica e de gênero, sentem com intensidade as conseqüências das ações humanas na natureza.Por isso, a importância de construir um processo em que seja possível o diálogo entre as diversas juventudes, o estado e o setor privado na perspectiva de consensuar ações e políticas que estejam de acordo com a realidade desse segmento e as suas aspirações, sem comprometer as gerações futuras e repensando princípios e valores da sociedade. A Agenda 21 da Juventude Brasileira é um passo para a construção da sustentabilidade. A discussão do modelo de desenvolvimento é a base para iniciar qualquer processo de Agenda 21, e no caso da juventude não deve ser diferente, o que contribui para a mudança de comportamentos, princípios e valores da sociedade.

Assintomática

Nem sei...
Deixe-me ver...
Sinto... [hum] Nada muito claro...
- Na verdade é tudo muito confuso porque não tenho conceitos nem parâmetros para saber o q cada palavra significa. Amor... Paixão... Saudade... São coisas que não sei se sinto Porque não sei os "sintomas"... [É terapia?]
Então... Já tristeza, Sinto... Sempre... Solidão tem diminuído. As lagrimas não são mais tão companheiras... Mas ainda escorrem pelo rosto ensopando as minhas roupas Inchando os meus olhos... Às vezes sem motivos Às vezes por um profundo sentimento de impotência diante do mundo catastrófico... Acho que isso é fruto da grande crise espiritual, econômica – política - social e ambiental que vivemos. Enfim somos feitos de energia materializada [?]

Desafios e possibilidades das políticas públicas no Brasil

O debate sobre políticas públicas tem ganhado espaço os últimos anos tanto dentro da academia quanto nas organizações da sociedade civil e movimentos sociais. Nos espaços de participação e controle social essa discussão tem ganhado força. Mas, será que existe clareza sobre a lógica que rege as políticas públicas? Para quem elas atendem ou devem atender? Essas são algumas questões que me fazem refletir, também, sobre a forte relação que se estabelece entre os poderes econômico, político e cultural e a construção de hegemonias nas sociedades capitalistas. E como essas relações reproduzem e rompem paradigmas da sociedade. Por isso discutir sobre o papel do Estado e os conflitos e contradições da sociedade são fundamentais no debate sobre os desafios e as possibilidades das políticas públicas. As sociedades ocidentais não foram sempre organizadas como a conhecemos hoje, divididas em classes sociais, sob essa forma de Estado, sob a lógica do lucro e da exploração. O Estado, então, é uma instituição que se vem se organizando ao longo dos anos e sendo compreendida de diversas maneiras que reflete no seu papel e nas formas de organização social e política da sociedade. Para Hobbes e Locke, que viveram entre os séculos XVII e XVIII, antes da existência do Estado, as pessoas eram governadas pelo estado de natureza, onde não há limites para a ação do homem. Assim, o Estado surge como controlador, com o objetivo de evitar o estado de guerra. Esses autores, como podemos perceber, foram importantes influenciadores e defensores do poder absoluto. Já Rousseau, encontra no contrato social, pacto entre governantes e o povo, uma forma legítima de garantir a liberdade, que para ele, não existia no estado de natureza, sendo então, um defensor da democracia. Smith, pai da doutrina liberal, defende que o Estado tem o papel de dar suporte ao funcionamento do mercado, mas não de controla-lo, e este garantiria o bem estar social. Já para Marx e Engels, que viveram o momento da revolução industrial, o Estado serve a classe social dominante, sendo a representação ideológica e política dessa classe, estando então, subordinado à estrutura econômico-produtiva. Gramisci, inclui na debate sobre como a sociedade se organiza, a “hegemonia” como elemento principal que comanda o desenvolvimento histórico sob a complexidade das relações ideológicas e culturais, que o Estado sob o comando de uma classe que detém a hegemonia, acaba por reproduzi-las. Althusser chama de “aparelhos ideológicos e repressivos do Estado” os mecanismos que o Estado utiliza para reproduzir a ideologia e os meio de produção hegemônicos da sociedade para manter a classe dominante no poder político, econômico e social. Entre os aparelhos ideológicos e repressivos que o Estado utiliza estão as políticas públicas que se define, segundo Peters (1986), como a “soma das atividades dos governos, que agem diretamente ou através de delegação, e que influenciam a vida dos cidadãos” (Apud. SOUSA, 2006) Nesse sentido, as políticas públicas tem grande importância sob a vida das pessoas, principalmente nos paises em que o Estado exerce um papel fundamental na condição de vida da maioria da população. Esse é o caso da maioria dos paises que ainda não tiveram o Estado reduzido ao mínimo e o mercado sendo o responsável pela garantia do bem-estar social, como é a lógica neoliberal que entende o papel do Estado como, apenas, um instrumento de suporte ao funcionamento do mercado. O Brasil se insere nesse caso, uma vez que as desigualdades sociais são enormes, e o mercado capitalista não dá conta nas necessidades da maioria da população, sendo preciso a sua interferência tanto para as políticas sociais quanto para a própria manutenção do mercado. Diante disso, não se pode esquecer do processo histórico que trouxe o país para essa situação de desigualdade, exclusão e relação entre Estado e sociedade civil que teve início com a colonização pelos portugueses. Passou por um longo período de ditadura militar em que os direitos civis e políticos foram derrubados e problemas econômicos agravados. Chegou a década de 90 com a inserção do neoliberalismo que fez ajustes estruturais no país, dificultando, inclusive, o seu ritmo de democratização, além de agravar as desigualdades sociais e econômicas. (DAGNINO, 2002). Dessa maneira, o Estado brasileiro tem hoje um dívida social muito grande, difícil de ser paga em um período curto. Além disso, ele está inserido no sistema capitalista globalizado, alicerçado sob uma lógica individualista, que visa o lucro, dentro de uma sociedade relacional, segundo DaMata (1997) e sob modelos ideários de vida, estabelecidos pela elite, que devem ser seguidos, a pena da exclusão. A estrutura do Estado está estruturada para atender interesses de uma classe dominante, que detém os meios de produção, reproduzindo em todos os espaços a ideologia hegemônica. Assim, construir políticas públicas no Brasil que atendam as demandas da sociedade não é uma tarefa fácil. A diversidade e pluralidade da população brasileira necessita de políticas diferenciadas. E o Estado não está estruturado para atende-las, pois foi construído para atender, apenas, a burguesia. A sociedade brasileira encontra-se, então, em uma grande contradição, que de um lado tem o Estado como instituição que deve garantir boas condições de vida da população, sendo o grande influenciador, e de outro, o Estado estruturado para atender a classe dominante. Os movimentos sociais aparecem nesse cenário como organização da sociedade civil que reivindica certos objetivos específicos, geralmente com uma conotação social, que tem com ponto de partida uma inquietação. Tendo em vista que a nossa sociedade é marcada pela luta de classes, os movimentos sociais andam na contramão dos interesses da classe dominante buscando, além mudar aspectos na estrutura social ou a estrutura como um todo, uma consciência coletiva esclarecida e combativa do maior número de sujeitos sociais (GALEANO, 2002). Segundo Dagnino (2002), a resistência ao Estado autoritário unificou os movimentos sociais e organizações em seu combate, contribuindo para uma visão homogeneizada da sociedade civil. A partir da volta da vigência das instituições democráticas formais básicas se explicitou a sua diversidade, inclusive quanto aos rumos desse processo de democratização. A correlação de forças entre os vários projetos políticos existentes permitiu avanços nesse processo de democratização no final dos anos 80, mas a estruturação política neoliberal dificultou significativamente o seu ritmo, desmobilizando e desorganizando a sociedade civil. No entanto, na medida que essas instituições formais básicas não deram conta dos problemas de exclusão e desigualdade social, coincidindo, inclusive, com seu agravamento, os movimentos e organizações aguçaram as percepções sob a ampliação e radicalização da própria noção de democracia, sentindo necessidade de aprofundar o controle do Estado pela sociedade. Conseqüentemente, a noção de cidadania também é repensada sendo emergente a construção de experiências de espaços públicos para a promoção de debates acerca de temas, até então, excluídos da agenda pública (DAGNINO, 2002). As experiências desses espaços públicos possibilitaram o adentramento da sociedade civil na instituição do Estado, potencializando a disputa ideológica pelas políticas públicas para as mudanças no país. Com isso, ampliou-se a compreensão de que essas políticas devem servir ao conjunto da população, tendo a clareza de esta é diversa devendo, então, atender também a sua pluralidade. Isso só é possível se essa diversidade de sujeitos puder pensar, discutir, construir e avaliar as políticas públicas que para elas são desenvolvidas. Experiências como conselhos, orçamentos participativos, conferências, Agenda 21 trazem novos direcionamentos para o papel do Estado e da sociedade civil para uma perspectiva cada vez mais democrática e menos hierarquizada da sociedade. Conseqüentemente, traz novos desafios e possibilidades para as políticas públicas que serão superadas com o aumento da participação popular nas tomadas de decisão nos espaços públicos. Referencial bibliográfico BOBBIO, Norberto. A sociedade civil. In: Estado, governo e sociedade: para uma teoria geral da política. 11ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004. DAGNINO, Evelina. Sociedade civil e espaços públicos do Brasil. In: DAGNINO, Evelina. (org). Sociedade Civil e Espaços Públicos no Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 2002. _________________. Sociedade civil, espaços públicos e a construção democrática no Brasil. In: DAGNINO, Evelina. (org). Sociedade Civil e Espaços Públicos no Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 2002. GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002. GUIMARAES, José Dorival da Veiga. O estado, seus princípios e fundamentos. In: Ciência Política: princípios fundamentais do Estado. Bauru - SP: Edipro, 2000. MATTA, Roberto da. A Casa e a Rua. Rio de Janeiro: Rocco, 1997. MELO, Marcos André. As sete vidas da agenda pública. In: RICO, Eizabeth Melo. (org.) Avaliação de políticas sociais: uma questão em debate. São Paulo: Cortez, 1998. SOUSA, Fernando Pires. Nota de aula: Políticas Sociais e Teorias sobre o Estado. SOUZA, Celina. Políticas públicas: uma revisão da literatura. Sociologias , Porto Alegre, n. 16, 2006 . Disponível em: . Acesso em: 16 Jun 2008. doi: 10.1590/S1517-45222006000200003 MORAES, Reginaldo Carmello Corrêa de. Globalização e políticas públicas: vida, paixão e morte do Estado nacional?. Educ. Soc. , Campinas, v. 25, n. 87, 2004 . Disponível em: . Acesso em: 29 Jun 2008. doi: 10.1590/S0101-73302004000200002.

Surpreender-se

Se surpreender é uma das coisas que me faz refletir sobre a vida. Também me proporciona um enorme prazer de viver. Pois mostra que não conhecemos tudo da vida e que não há receitas a serem seguidas. Geralmente me surpreendo com as pessoas, com momentos, lugares.... Mas ultimamente tenho me surpreendido com os meus próprios sentimentos, reações e desejos. Isso tem me dado ao mesmo tempo que um enorme prazer e alegria, me dá medo e angústia. Medo por não saber o que virá e angústia por não poder controlá-los e entende-los. Os sentimentos que me surpreendem, ainda não consigo descrevê-los, identificá-los, classificá-los... , mas sei são intensos. Tão intensos que levam a agir. Ações que não me são próprias, como um simples telefonema.

Reflexão

Vivimos una crisi planetária que es ética, social, espiritual y ambiental. Él punto del no retorno, como se refiere ele l teólogo Leonardo Boff, al momento en que la vida humana y várias otras formas de vida, no podran mas sobrevivir en las condiciones ambientales del planeta, llega mas pierto a cada dia. Por eso motivo es fundamental trabajar, estudiar y lutar para que este momento no llegue y que se construyan sociedades sustentables. Estas, son socialmente justas, economicamente igualitárias y ambientalmente viáveis. La transformación del mundo es algo complexo, despacio y posible. Es necesário un proceso dialético, en que la teoria y la práctica sean aliadas. Es impresindible para la transformación, que las personas perciban toda la complexidad desta crisi que vivimos y compreendan nuestra espécie como una entre várias que pueden extinguirse. También es fundamental conocer las causas desta crisi. Uma de ellas es el sistema socioeconômico, el capitalismo. Esto sistema tiene como principio la conquista del lucro y se utiliza de vários mecanismos para conseguirlo. La ideologia neoliberal es un de los mas fuertes. Esta por toda parte, en las publicidades, las pesquisas, en la educación, en lo estado, en las novelas, en los livros, dijendo que tudo deve ser comercializado y las que aun no san, pueden ser. Asi, tudo tiene un costo, el trabajo, las ideas, los corpos... Y para lucrar mas, es preciso producir mas y hacer con que las personas consuman lo que es producido. Asin son construydos modelos de hombre, mujeres, sociedades que devem ser alcanzados, o mejor, consumidos. !Poes, tudo esta a venda en el mercado! Esta lógica hegemônica en nuestra sociedad no es compatible com la sustentabilidad del mundo. No es posible sociedades sustentables en lo capitalismo. Algunos caminos son utilizados para combater el sistema como la economia solidária que discute y construye sítios en que otros valores como la solidariedad, la coopearación, el costo justio y condiciones de trabajo igualitárias sean garantidas. Etro movimiento nuebo es de los consumidores que estan se organizando para saber donde vienen los productos, como son producidos, en que condiciones con lo objetivo de escojer aquel que tiene mejor responsabiliad socioambiental. Yo trabajo en uma organización que defende esa outra lógica. La Terrazul participa de varias redes, fóruns y sítios que interferen em las políticas públicas em las três esferas del país. Ella participa aun de espaços internacionais por creer que la transformación no es posible solo en un único país, por eso es importante discutir sus idéias con otros paises también.

Se chama saudade

11 de julho de 2008 será um dia inesquecível Não pelas coisas boas que ocorreram, infelismente. Ele será lembrado pela tristeza que é dizer adeus. É a minha primeira vez. Esta sendo difícil, tenho que reconhecer Isso porque estou longe Fico pensando nos que estão perto Nos que estavam lá, vendo tudo aquilo Nos que tentaram e não conseguiram retirar todos Que bom seria estar lá para confortar os mais precisados A distância da impressão de impossibilidade Acredito que as energias podem ultrapassar essa dificuldade Talvez possam até chegar mais mornas, meio cansadas... Mas dão um reforço para sustentar os corpos que precisam de forças para dar continuidade a luta O tempo vai passando Lento O corpo cansa A memória trabalha arduamente Passam fleches, como em cenas de filmes Lembro bem do sorriso, do jeito calado, da forma apaixonada como falava das coisas que desenvolvia, pensava, acreditava e sonhava. Contagiava! As lembranças fazem o sorriso reaparecer Acho que ele ainda contagia!

A humanidade enfrenta hoja uma escolha extrema: ecossocialismo ou barbárie?

O ser humano há muito tempo vem relacionando-se de forma desordenada com a natureza, usando e ocupando a Terra de maneira predatória, causando um desequilíbrio ecológico sem precedentes. O século XXI já se inicia com desastres ambientais e crises profundas na ordem mundial que vai de tsunamis e furacões até às guerras que se espalham pelo mundo. O aceleramento das mudanças climáticas é conseqüência dessa relação do homem com a natureza, produzindo assim impactos catastróficos nas vidas humanas, animal e vegetal. Esse acontecimento é real e comprovada por uma pesquisa (IPCC) Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas de 2007 realizada por pesquisadores do mundo que comprovam essa mudança do clima.Mas não é o Aquecimento Global e as mudanças Climáticas que afligem e preocupam os governos, os meios de comunicação e a maioria da população, a verdadeira preocupação é a crise no sistema financeiro mundial. E essa crise é analisada separadamente das relações sociais e ambientais, como se não houvesse qualquer interferência entre elas.Diferentemente desses, existem pessoas organizadas ou não que acreditam que essa crise é sistêmica. Ela é ao mesmo tempo econômica uma vez que interfere profundamente no trabalho, na produção e no consumo das pessoas, aumentando o preço de produtos básicos para a sobrevivência humana. Política, já que os direcionamentos dados a cada problemática são diversos e relacionados a pensamentos ideológicos. Também é social, pois as estruturas da sociedade não dão conta das necessidades e desafios atuais, interferindo, diretamente, na forma de organização das sociedades. E, profundamente, ambiental, já que a natureza é fator limitante para a sobrevivência das pessoas, pois é dela que são retirados os recursos que geram o ciclo de produção e consumo e reprodução da humanidade. E, além disso, é ética, por colocar em cheque valores como o individualismo e a responsabilidade com as atuais e futuras gerações. Nenhuma dessas crises estão isoladas umas das outras. Isso quer dizer que a crise ecológica e o colapso social estão profundamente relacionados. Suas conseqüências deveriam ser vistas como manifestações diferentes, mas com causas nas mesmas forças estruturais, o capitalismo.Essa crise é resultado do modelo de civilização que vivemos que coloca o desenvolvimento e o lucro acima dos limites do planeta e de todas as formas de vida. Devemos perceber que os recursos naturais são limitados e que não podemos destruí-los para o benefício de uma parcela da humanidade, excluindo, massacrando e explorando a maioria da população. Mas ao mesmo tempo, a Terra é rica e abundante tendo condições de alimentar todos os povos, com respeito e distribuição dos recursos de forma igual e sempre com o cuidado para com a nossa grandiosa e generosa Mãe Terra. Cuidar da Terra é perceber que somos parte integrante dela e que podemos viver em harmonia com todos os seres, sem degradar. Satisfazendo as nossas necessidades.Por isso é fundamental romper com o atual modelo de desenvolvimento, o capitalismo, que já se mostrou incapaz de regular e, muito menos, de superara as crises que criou. Ele não consegue resolver a crise ecológica porque fazê-lo significa colocar limites ao processo de acumulação, uma opção inaceitável para um sistema baseado na maximização do lucro. Devemos partir para a superação desse sistema, e construir o ecossocialismo. Um modelo de sociedade que estabeleça uma relação igualitária entre a humanidade com ela mesma e com a natureza.O Ecossocialismo é, então, uma das opções políticas que atuam no interior do ambientalismo. É parte do movimento sócio-ambiental que é anti-capitalista unindo a luta ecológica à causa socialista. Assim, ele se contrapõe tanto com os socialistas que não consideram a importância estratégica da luta ecológica, como com os ecologistas que não atuam no sentido anti-capitalista.Construir o Ecossocialismo significa lutar pela não separação dos produtores (trabalhadores) dos meios de produção (ferramentas necessárias para que os trabalhadores consigam transformar a matéria prima em produto) que é um dos princípios do socialismo, associada com a redefinição da trajetória e objetivo da produção em um contexto ecológico, ou seja, repensar todo o processo produtivo; a necessidade desse produto para a humanidade, como ele será produzido, que recursos ele necessita para ser produzido, se pode ser substituído por outro que cause menos impacto, como e onde ele será descartado.Ele integra o socialismo e a ecologia especificamente em relação aos “limites ao crescimento”, essencial para a sustentabilidade da sociedade. Isso sem impor escassez, sofrimento ou repressão à sociedade. Propõe uma profunda transformação das necessidades, uma mudança de dimensão qualitativa, não quantitativa na vida das pessoas. O que quer dizer valorização dos valores de uso em detrimento dos valores de troca sob uma perspectiva ecológica.
“Não se trata de contrapor a sobrevivência humana à de outras espécies,trata-se de entender que elas são inseparáveis e que nossa sobrevivência comoseres humanos depende da salvaguarda do equilíbrio ecológico e da diversidadedas espécies.”
*Michael Lowi
Lutar pelo ecossocialismo é também estar junto na luta das mulheres. É compreender que não existirá uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária se as mulheres continuarem a serem descriminadas, violentadas e desvalorizadas em relação ao outro sexo, o homem, e nem se o feminino não estiver no mesmo patamar que o masculino. É lutar para que as mulheres tenham autonomia sobre seus corpos podendo decidir sobre ele.É também combater o racismo. Não permitir que nenhum ser seja descriminado pela sua cor, cabelos, olhos, vestimenta, música, ou qualquer outro tipo de forma. Deve haver o respeito pelas diferentes culturas, diferentes maneiras de viver.Os Ecossocialistas também estão na batalha pela livre orientação sexual. Não aceitam que pessoas sejam julgadas e condenadas pela escolha sexual que fazem. As pessoas devem ser livres para amar.É lutar pela soberania dos povos. Nenhum povo deve ser subjugado por outro.Construir o Ecossocialismo é também carregar as bandeiras geracionais. É perceber que cada geração tem necessidades diferentes. É compreender que os jovens são sujeitos de direitos. A juventude não una, é diversa, múltipla. Ela é mais do que uma etapa na trajetória de vida dos indivíduos, é mais do que uma fase preparatória para a vida adulta. A condição juvenil possui "valor" por si mesma. Ela exige uma série de políticas públicas gerais, e também específicas, que se mostrem aptas a minimizar os riscos e os problemas sociais que recai principalmente sobre essa geração, bem como maximizar as oportunidades de inserção econômica, social, política e cultural dos jovens.A juventude tem um papel importante nessa construção. 51 milhões de jovens brasileiros com idade entre 15 anos e 29 anos** enfrentam diversos riscos e problemas no seu cotidiano causados pelo modelo de desenvolvimento da nossa sociedade, que só tende a piorar quando chegarem à idade adulta. Esses jovens que enfrentam riscos e problemas só conseguirão superá-los com a sua inserção na mobilização social e política das organizações da sociedade civil.Para os ecossocialistas as lutas não estão separadas. Por isso, as crises podem e devem ser vistas como oportunidades revolucionárias, e como tal temos o dever de afirmá-las para superá-las.
* Michael Lowi, texto; Ecologia e Socialismo extraído do www.brasildefato.com.br 2008.
** Pesquisa intitulada: "Juventude e Políticas Sociais no Brasil" realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2008.