segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Primeiros passos no mundo da prostituição

Primeiros passos no mundo da prostituição


Rebeca Raso Prazeres
Mestranda em Educação, Gênero e Igualdade
Universidade de Santiago de Compostela



Na Espanha, tive a oportunidade de inserir-me numa organização que trabalha com mulheres em situação de prostituição. Aconteceu por acaso. Nunca havia trabalhado ou estudado esse tema, tampouco era o meu foco de interesse quando cheguei neste país. Saí do Brasil com a ideia de aprofundar meus estudos em educação e gênero sob uma perspectiva ambientalista
No entanto, deparei-me com uma realidade latente e marginal; muito além do que imaginava. Impressionou-me a quantidade de imigrantes que exercem esse ofício. Fiquei ainda mais espantada quando me deparei com o grande número de brasileiras entre as imigrantes; estas vindo de uma mesma região, senão, de uma mesma cidade Goiânia.
Não me permiti outra solução, a não ser mergulhar nesse mundo. E quanto mais adentro, mais questões me intrigam. O tema ainda está verde em minha cabeça. Novos ramos não se cansam de surgir dessa árvore tão complexa que é a prostituição, com raízes tão profundas no patriarcado. Mas, apesar de grande e antiga, a prostituição parece que não ser vista pela sociedade.
Por isso, o meu intuito neste primeiros escritos é de buscar levantar todos os ramos que me deparei para clarear meus passos nesse campo e enxergar as fontes que a nutrem.
Começo tocando na relação que se estabelece entre migração e prostituição. Essa foi a primeira surpresa que tive ao me deparar com as diferentes nacionalidades das mulheres. O número de imigrantes exercendo a prostituição supera os 75% na Espanha de acordo com as instancias polícias deste país1. Esse fenômeno é evidente e estão documentados em vários artigos que discutem a prostituição em países tidos como desenvolvidos (países da Europa ocidental e Estados Unidos). Parece que os “contos de fadas” continuam a impulsionar milhares de mulheres de países “pobres” aos países “ricos” em busca de uma vida melhor, de encontrar o “príncipe encantado” em terras distantes ou de conseguir levantar muito dinheiro em pouco tempo para realizar seus sonhos.
Por traz dessas migrações estão as redes sociais que facilitam este trânsito. Aí temos diversos caminhos possíveis para chegar até aqui. Entre esses existem as redes de tráfico de pessoas, as redes sociais de familiares e parentescos, os grupos sociais, além de outros. Essas redes também podem atuar conjuntamente tornando os caminhos e rotas cada vez mais complexas.
Diante disso, pergunto: as mulheres vem enganadas? Elas são traficas? Elas vem por vontade própria? Vem sabendo que vão trabalhar na prostituição? Sabem que podem ter uma dívida alta à pagar? Sabem as condições de trabalho? Recebem bem? Tem cafetões por trás delas? Para todas essas perguntas têm respostas “sim” e “não”. A realidade é muito diversa. Não se pode generalizar. As histórias de vida são múltiplas.
E quando chegam aqui, o que acontece? Há, essa já é uma nova página da história que também não é una. Vai depender do caminho que percorreu, a rede que a trouxe e as suas condições físicas e psicológicas.
A maioria chega sem os famosos “papéis”, a permissão para residir e trabalhar no país. Isso é um dos temas que as deixam em maior posição de vulnerabilidade. Pois não ter “papéis” extrai da pessoa diversos direitos essenciais como estudar, trabalhar, circular pelas vias, abrir uma conta no banco, alugar um apartamento, entre outras. Ou seja, a qualquer momento a polícia pode pará-la na rua e ao verificar que não tem a permissão para estar no país leva-a detida, correndo o risco de ser deportada e sofrer todas as consequências que uma deportação resulta. Esse estado de irregularidade obriga a essas mulheres a se inserirem num círculo viciosos da clandestinidade e da dependência de terceiros, que muitas vezes são redes de exploração.
O uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas é muito frequente no mundo da prostituição. O seu uso pode inicia-se porque os clientes só aceitam fazer o programa se ela estiver drogada ou por incitação do dono do clube, ou do proxeneta ou porque necessita da droga para trabalhar, pois sem ela se sente incapaz de fazê-lo, seja por vergonha, moral, religião da qual acredita que julga incorreto a profissão, ou por milhares de outros motivos.
A questão religiosa é uma outra vertente a ser melhor estudada. Ainda não tive acesso a nenhum estudo que tocasse nesse assunto. Percebi que a maioria das mulheres tem uma religião, são católicas, evangélicas, muçulmanas. A maior parte das brasileiras são evangélicas. Religião essa, igual que as demais, proíbe a prostituição e a vê como algo diabólico em alguns casos. As mulheres levam consigo essa culpa, de serem pecadoras, terem algo diabólico no corpo, vivendo em contradição que, muitas vezes, as levam a terem problemas psicológicos e de auto-estima importantes.
Um outro tema que surgiu foi o das relações amorosas. Muitas prostitutas, ao contrario do que pensava, tem uma relação amorosa estável, são namorados e maridos. Também existem vários casos de mulheres que saem da situação de prostituição após encontrar uma pessoa, geralmente homem, por quem se apaixona. A esses apelidamos de “salvadores”. Pois são eles, que dentro da moral judaico-cristiana “salvam” as mulheres da prostituição. Essas relações amorosas são bastante complicadas, uma vez que já iniciam com um salvador (o príncipe) e a pecadora pervertida (a mulher), em uma situação de desigualdade de poder em que a ex-pervertida está sempre pagando o seu pecado ao seu salvador. Seja cuidando dele, limpando a casa, fazendo comida, tendo relações sexuais quando ele deseja. Alguns casos falam de um isolamento da mulher. Passa a morar afastada da cidade, sem contato com visinh@s ou amig@s. Outros apontam para relações de estremo ciúmes por parte do homem, levando muitas vezes a violência física e a morte da mulher, já que a psíquica, nesses casos já existe, mesmo não sendo calculada. O número de assassinatos e violência de gênero em casais em que o homem é espanhol e a mulher é estrangeiras são alarmantes.
Então, nos perguntamos, mas se a mulher já está casada significa que ela já tem papéis e consequentemente tem acesso a diversos direitos, então porque ela não sai dessa situação? A resposta a essa pergunta não é fácil. Pois a vida está cheia de intercessões que a deixa complexa. Alguns pontos importantes se devem ter em conta não para responder a pergunta, mas para entender a complexidade da situação para, então, poder tentar ajudar a essas mulheres a saírem dessa situação de opressão e violência. Um deles é a melhora na condição de vida que muitas mulheres tem ao se casarem com um espanhol na Espanha, nesse caso. Por exemplo, uma mulher que sai do Brasil para tentar melhorar de vida num país distante, em uma situação de prostituição, o que muitas vezes, não a exercia em seu país de origem. Ao se casar, encontrar o seu “salvador”, seu príncipe, coloca sobre ele todas as expectativas de um relacionamento de conto de fadas. De repente, se vê presa emocionalmente a ele. Além disso, passa a morar em uma casa bonita, com eletrodomésticos que muitas vezes nunca teve (geladeira, fogão, maquina de lavar, secadora, micro-ondas, secador de cabelo, televisão), calefação, água encanada, comida e as vezes ainda ter a possibilidade de mandar dinheiro para os familiares2. Passa a ter uma vida estável financeiramente, mas em troca, muitas vezes, de um isolamento, de violência psicológica, emocional e até física.
Sair desse relacionamento pode ser perigoso para a sua família e para ela mesma. Ameaças são comuns. Para onde ela vai? Voltar para a prostituição? A quem ela pode acudir se a rede social que ela tem muitas vezes está em sua mesma situação, ou não pode ou simplesmente não quer pois tem vantagens sobre essa situação. A polícia nem sempre é uma alternativa fiável para elas, diante das experiências que teve. Ou, simplesmente, o casamento não acontece no papel e ela se encontra nas mesmas condições de quando chegou, imigrante irregular.
Essa situação também passa com as mulheres que exercem a prostituição nos seus países com clientes estrangeiros. Cria-se a ilusão de encontrar entre os seus clientes, o seu príncipe encantado que vai levá-la a terras distantes para viver uma linda história de amor e sair da pobreza em que vive. O que na maioria das vezes não acontece.
Outra questão é a humilhação de voltar para casa sem os objetivos conquistados. Sem um príncipe, sem dinheiro e arrasada emocionalmente e fisicamente. Muitas vezes as mulheres fazem de tudo para não voltarem ao seu país quando “fracassam”. O processo de deportação também é doloroso por esse motivo. Voltam com o estigma de fracassadas, sem expectativas e envergonhadas , inclusive com um sentimento de culpa.
A prostituição na Espanha, assim como no Brasil, é permitida, e também discriminada, mas bastante procurada. Em Santiago a maioria da prostituição se faz dentro de clubes. Nada mais do que bares com música alta, painéis de mulheres nuas pelas paredes e as prostitutas. A qualidade do ambiente varia muito. Nem todos têm quartos para serem usados nos programas. Em alguns, as mulheres dormem e comem no próprio club, em outros somente comem e em outros somente trabalham. Eles estão localizados nas estradas que dão acesso a cidade, podendo chegar apenas de carro. Os maiores estão bem sinalizados com placas coloridas e piscantes, os menores tem luzes vermelhas na porta. Dois “clubs” localizados na cidade de Santiago estão em condições terríveis, são escuros, com muita umidade, sem qualquer identificação. Esses estão na rua onde antes era famosa pelos clubs de prostituição que havia, restando hoje apenas esses. Um outro club dentro cidade acompanha o nível dos localizados nas estradas, bem sinalizados, grandes, com música, estando próximo a estação de ônibus.
Também existe a prostituição de rua, embora nunca tenha visto e a “prostituição de piso”, em que a prostituta está sozinha em um apartamento e o cliente marca com ela. Esses últimos geralmente são divulgados, ou melhor, publicizados nos jornais. Em uma parte do jornal como se fosse os classificados, onde estão os anúncios de mulheres para serviços sexuais. Esse comércio gera milhões de euros para os jornais todos os anos, o que em alguns casos fica difícil se sustentar sem eles.
Nos clubs de prostituição a recepção das mulheres ao projeto da Organização que distribui preservativos varia muito. Isso tem relação com a receptividade da direção do club. Se @ don@ não vê problemas na atividade, a relação é boa e podemos conversar com elas, dizer que a organização existe e que se elas tem algum problema, seja qual for, que elas tem onde acudir. A organização tem advogadas, assistente sociais, psicólogas, casa de acorrida, oferece cursos, é fonte de informação e ajuda na busca de registros e assistência sanitária para as queiram ou não continuar na prostituição. Para @s don@s que vêem algum problema na atividade, ou não nos deixam entrar no club ou nos permite apenas distribuir os preservativos nos quais levam um cartão com o endereço e telefone da organização.
Nesse trabalho que chamam de “traballo de rua” visitamos os clubes a cada 45 dias. Tempo suficiente para que cheguem novas mulheres. Assim, sempre existem as novatas. As novidades para os clientes. Existem ocasiões em que todas são novas. E existe ainda as que nos conhece de outros clubes. Isso quer dizer que elas de tempos em tempos vão mudando de clubes. Dizem que os próprios clubs fazem as transações e outras vezes elas mesmas mudam por vontade própria. É comum ver que elas mudam também de cidades.
Agora vejamos o outro lado da história. Esse lado que pouco conhecemos, a dos clientes. Quem são? Homens? Qual é a média de idade? São casados, solteiros, divorciados, viúvos? Com que frequência vão aos clubs? Porque procuram a prostituição? Quais suas preferencias? O que eles pensam sobre a prostituição? Suportariam ter uma filha, irmã ou mãe na prostituição? E os homens que tem familiares na prostituição, fazem o uso da prostituição? Tem as mesmas ideias que outro homem que não tem? E se não existissem os clientes? Existiria a prostituição?
Me pergunto se existisse a igualdade de poder, de oportunidades, e nas relações de gênero, existiria a prostituição. O mercado do sexo é um dos maiores e mais lucrativos, estando atras do trafico de armas e do trafico de drogas. Estando esses três bem relacionados. Não é por acaso que países em situação de guerra ou pós-guerra estão entre os que mais expulsam as mulheres para o exercício da prostituição em terras distantes. São os países onde a prostituição, o trafico de pessoas ocorrem de maneira mais permissiva.
Porque a prostituição nos países ricos é feita pelas imigrantes em sua maioria em situação irregular e não pelas pessoas da própria nação? As desigualdades fazem com que os excluídos de direitos e poder se submetam a coisas impensáveis. A ganancia, o excesso de poder faz das outras de sentirem superiores e com direito a explorar as outras. Por isso me pergunto, porque as mulheres não são clientes da prostituição? Porque somente elas são quem se prostitui. E quando os homens o são, porque, em sua maioria, os clientes também são homens?
texto nao acabado

1Debate sobre prostituición y trafico internacional de mujeres. Reflexiones desde una perspectiva de género. Médicos del mundo. Mayo 2003
2Aí @s machistas pensam, “haa então é vida fácil! É só ela transar com ele quando ele quiser, nada mais do que ela fazia quando era prostituta, e ainda tem esse luxo todo para desfrutar. Ela deveria era agradecer” Mas esquecem do que elas tem que dar em troca, e do sofrimento que é estar refém de alguém.   

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Resenha


Dei uma sumida do blog né. A causa foi o verão. É tempo de trabalhar, dormir e aproveitar o sol e o calor, que por essas bandas duram muito pouco. E é porque com os efeitos das mudanças climáticas foi um dos verões mais quentes e secos dos últimos 25 anos. Para mim foi bom, acostumada ao sol e calor diário do Ceará deu para dar uma revigorada.
Consegui um novo emprego também nos fins de semana e durante a semana aproveitei para ir a piscina, a praia (conheci as Islas Cies que já tem foto e os Castros de Baroña, que é lindoooo também), curtir a programação cultural da cidade (festival dos abraços, com música, teatro, dança pelas praças, muito bacana), descansar e resolver problemas domésticos como limpar a casa, fazer comida, lavar a louça, fazer supermercado, essas coisas chatas, mas necessárias para a sobrevivência. É gente, também sou dona de casa!
Além disso, como vocês já sabem, mudei de casa, assim que, junto com isso, vem outras tarefas como contratar o serviço de internet domiciliar, resolver os problemas que a falta de internet implica, sem contar com o mau atendimento e serviço da própria empresa da internet. Ha.. isso me gastou muito tempo e paciência. Afinal, fiquei quase 2 meses sem internet, estando esta contratada. Mas já está tudo resolvido!
Setembro chegou e com ele meu niver também. Gente fiz 25 anos, ¼ de século!!! Fiquei arrasada por alguns momentos. Me recuperei quando me dei conta de que ainda tenho muita coisa para viver e que com a pouca idade que tenho, aproveitei bastantes cada momento. Por isso, dei uma festa em casa. A primeira festa na casa nova. Minhas amigas do mestrado não puderam comparecer, com exceção a Iria. O resto estavam nas suas cidades. Mesmo com a ausência delas foi bem divertido! E na volta para casa ainda comi farofa de linguiça. Bom demais!!!
Em setembro também acaba o verão. Um tristeza para mim. Bastou cair uma chuvinha e logo caí de cama. E esse é um dos motivos para eu estar aqui escrevendo no blog. Não tenho vontade de fazer nada.... mesmo estando fazendo várias coisas (uma delas é sopa de legumes) hummm o cheiro tá bom!!
Bem agora vou tomar sopa sucesso e começa a ler os artigos que a Dolores ( profª do Brasil) me mandou sobre prostituição. Vamos tentar escrever um trabalho para o encontro de mulheres que vai acontecer no Canadá em 2011. Para as amigas feministas vale a pena dar uma conferida. A atividade parece ser de esquerda. O site é www.mm2011.ca

beijos a tod@s!! estou morrendo de saudades. 

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Tarde europeia

Sol, calor ameno, pessoas dormindo à sombra pelo caminho.
Um livro gostoso, com sabor de Lispector.
Cachorros a correr, brincar e arrancar de suas observadoras boas risadas ingênuas.
Água para refrescar e para completar, o som da voz da pessoa querida. 
Não resta nada mais do que voltar a casa com a alma renovada.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Palavras pensadas, palavras escritas. Se essa ordem fosse fácil não teríamos prêmios sendo distribuidos e os escritores estaríam pior remunerados ou quem sabe, essa profissão nem existisse.
De que é feita uma boa escrita? De ideias e de boas leituras?Então a/o leitora/o tem um papel chave para a classificação de uma boa escrita, pois são elas/eles quem consomem esse produto. Já entrei no debate do sistema capitalista e seu ciclo vicioso.
Mas não é sobre ele que estou pensando, ou melhor, escrevendo. É sobre a vontade de escrever.
De onde vem a vontade de escrever?
Da necessidade de pensar?
Se pensa sem escrever?
Se escreve sem pensar? Então quem escreve é quem pensa?
E o que seria pensar sem escrever?
Para escrever se faz necessário pensar sobre o que se vai escrever? Ter uma ideia?
E se tenho a ideia de escrever? Somente a vontade de escrever. Então não escrevo? Assim a minha vontade não é satisfeita. Que coisa!
Necessito de uma ideia.
Melhor voltar a ler.  

domingo, 1 de agosto de 2010

E- I migrantes




Estou interessada em conhecer programas e grupos de juventude da Galicia. Por isso, me inscrevi no “I foro xuvenil da Galeguidade”, pensando que conheceria alí grupos de jovens galeg@s. No entanto, me deparei com um programa de acampamento para descendentes de espanhões na América. Um programa interessante que se basa em trazer jovens descendentes para conhecer a Galícia, participando de atividades. O programa financia tudo, desde a passagem aéria até alimentação e hospedágem, dando inclusive a possibilidade do jovem permanecer por mais tempo na Espanha caso queira conhecer seus familiares, mas nesse tempo os gastos são por conta do jovem.
As e os jovens participantes provém principalmente da Argentina e Uruguai, em menor quantidade do Chile e pouquíssimos cuban@s, colombian@s, bolivian@s, brasileir@s, peruan@s. Tem entre de Um dos requisitos é ter nacionalidade Espanhola, o que estranhou bastante, pois para isso é necessário ter descendentes recentes e ter dinheiro para consegui-lo. Perguntei a alguns deles como souberam do programa, e todos me responderam que através da família. Mas nem todos conhecem seus familiares daqui. Muitos aproveitam para conhecer a Europa.
Mas me parece muito estranho que um programa que busca fazer a integração entre os descendentes da imigração galega com a Galícia não incorporem jovens Galegos nesses acampamentos. Também me parece estranho que o debate dobre a imigração se centre na ida dos Galegos à América, esquecendo da imigração da América à Galícia, que apesar de serem imigrações têm conotações diferentes e contextos distintos. Para eles (governo Galego, de acordo com o discurso do coordenador do espaço de juventude na abertura do evento e de muitos outros) a emigração galega para as Américas fez com que o “os valores” galegos e europeus de trabalho, esforço, disciplina, fizessem com que hoje, países como Brasil, estejam apontados como futuras potências mundiais. Falam da emigração europea como a ida para trabalhar. Por outro lado, vêem a imigração latina, africana, asiatica como algo clandestino, ilegal. Aqui, não ser europeu significa ser imigrante. E ser imigrante tem um peso negativo na hora de buscar o trabalho, o mesmo que eles foram buscar nas nossas terras.
No entanto, alguns jovens estão atentos as essas diferenças e começam a pontuar questões que deixam desconcetados os organizadores da atividade. Estariamos, então, mais conscientes da nossa história?  

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dança Galega


 Um retorno a época medieval.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Meu erro

Uma situação chata fica martelando na minha cabeça, dando voltas e voltas tentando entender o que levou a ela ter reagido daquela maneira. Não aceito que o fato de por não sermos amigas, de eu ser calada ou séria possa ter gerado uma raiva tão grande. Também não aceito ser insultada de graça. Por isso, continuo a tentar analisar por outras perspectivas para tentar enxergar o que há por traz dessa agressão que sofri, já que o diálogo foi cortado por completo.
Também não será pelo ocorrido de eu não ter agradecido um feito dela, o que, de alguma maneira, era a sua obrigação. Até porque, o agradecimento, se deveria existir, teria que ser feito pelas duas partes desde o início da relação, o que nunca foi reclamado pelas duas partes, até então.
Assim, continuo a procurar a verdadeira razão dessa briga. Já que está claro que a suposta intriga feita por mim, não existiu. Esse episódio foi causado por uma ilusão, um suposto mal entendido que ainda não estou segura de que realmente aconteceu.
Divergências de pensamentos, de atitudes existem em todos os lugares e é bom que continue existindo para que possamos evoluir e construir soluções reais e que agradem a tod@s. Essas divergências devem ser postas a mesa, debatidas e solucionadas. Assim é a democracia. O passo seguinte é a execução dos acordos. Essa é a etapa mais dolorosa, na qual é necessário agir, mudar posturas, seguir as regras que você mesmo construiu. Além disso, cada um e cada uma tem a sua maneira de executar as coisas. E para uma boa convivência é necessário fechar um pouco os olhos, os ouvidos e a boca. Afinal de contas eu não sou o centro das certezas e nem quero viver em uma ditadura, mesmo que a ditadora seja eu. 
Baseado nisso, construir a minha postura numa casa diversa, como é toda e qualquer comunidade por menor que ela seja. Mas ao final, essa postura, que era declarada, foi questionada. Somente ao final. Questionada sob a justificativa de que eu me calava, me silenciava. E afirmando que a minha postura deveria ser falar, de brigar, de reclamar quantas vezes fossem necessárias. Pois eles e elas, por não estarem acostumados tinham que ser cobrados, chamados atenção. Mas não será essa uma postura autoritária? Justamente a que eu não queria ter? Justamente a que eu me controlava para não fazer? Porque eu era a que tinha que ter esse papel de reclamar, dar “toques”, fazer lembrar das obrigações de cada uma e de cada um? Porque esse papel deveria ser meu? Porque eu me incomodava? O que me incomodava foi colocado a mesa, foi debatido, feito acordo de forma democrática. O problema é que nem sempre era cumprido por esses mesmos sujeitos que construíram as regras. Por isso, eu deveria estar sempre falando, reclamando, lembrando e dando os “toques”? Fico imaginando se eu tivesse levado os 9 meses nessa postura. Será que teríamos tido a boa relação que levávamos ou pelo menos, que eu entendia que fosse uma boa relação? Será que eu suportaria ser a chata, a que reclama? Será que suportariam estar a todo momento sendo controlados, corregidos e recebendo reclamações? Será que eles e elas teriam cumprido com suas obrigações? O que fazer nesse caso?
Fui me calando aos poucos, nas áreas comuns e privadas. Não digo que foi fácil. É muito mais fácil ficar reclamando do que os outros não fazem, mas também é cansativo, desgastante. O resultado foi uma melhor convivência, deixei de ser a SRA. (…) com todas as características estereotipadas que levam esse pronome.
Junto com o silêncio acompanhou o deixar as coisas para lá. Não fazer mais o que era tarefa d@s outr@s, o que me consumia profundamente. Com isso, pouco a pouco alguns conflitos na casa foram surgindo. Claro, não tinha mais a que fazia as coisas calada, e os entupimentos foram surgindo, os panos continuaram sujos, a geladeira passou a alagar, o lixo a transbordar, o banheiro a feder e as pessoas passaram a se incomodar.
Talvez aí eu tivesse que ter falado, e vontade não faltou. Mas pensei, se eu for falar, o tom será irônico, e se não for, o conteúdo poderá agredir. Deixei que se gladiassem, eu já não me importava. Estava cansada. Agora era a vez del@s se cansarem, perceberem que tinham coisas que serem feitas, pois já não existia uma mão invisível que executava as coisas. Lembrar de suas tarefas, sua responsabilidades em uma comunidade.
Não quero nenhum reconhecimento pelo feito, inclusive porque uma sábia me falou: “fez porque quis”. E ela está certa, fiz porque quis, e por isso mesmo não precisava continuar fazendo. Fiz até aguentei.
Talvez o meu erro tenha sido esse. Acostumei mal no início e não fiz até fim.  

sábado, 10 de julho de 2010

Minha inspiração

 No mundo da história, da cultura da política, constato não para me adaptar, mas para mudar. Não posso estar no mundo de luvas constatando apenas. A acomodação em mim é apenas caminho para a inserção, que implica decisão, escolha, intervenção na realidade.
(Paulo Freire, 2000)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"Confusão"

 Estou perplexa.
A linguagem é um instrumento de comunicação que nem sempre consegue cumprir com a sua função. Uma palavra tem infinitos significados que vai depender da socialização da pessoa emissora e receptora. Assim que um@ emissor@ ao pronunciar a palavra “cão” quer emitir uma informação que não necessariamente será a mesma a ser recebida pel@ receptor@, uma vez que este ao escutar tal palavra pode entender outro significado. Um exemplo: para @ emisor@ a palavra “cão”, no seu contexto, tem o signifiaco de cachorro, que por sua vez está se referindo a um animal doméstico, manço, agradável e até simpático. Para @ receptor dentro de seu contexto, que é diferente do emissor, pode significar diabo, uma entidade sobrenatural maligna.
Isso pode parece extranho, e até dificil de imaginar, já que a comunicação é feita não por palavras soltas e sim por por frases que constrõem um contexto, que deveria ser o campo comum entre emisor@ e receptor@ por onde circulam as idéias e os significados. No entanto, acontece! E os efeitos dessa “confusão” podem ser profundos se as pessoas que tentam se comunicar e se fazer entender não forem o suficiente maduras e abertas para escutar, refletir, reformular frases, perguntar e falar o que pensa de forma tranquila, consciente e sem ofensas.
Assim, basta uma pessoa estar fora de si, para uma verdadeira “confusão” acontecer. Porque o ditado é certo, “quando um não quer, dois não brigam, mas quando um quer muito o outro não tem como fugir.”  

terça-feira, 22 de junho de 2010

San Xuan

Amanhã é noite de São João. Aqui na Galicia tem-se o costume de fazer fogueiras e salta-las, assim como no Brasil. Em algumas cidades litoraneas é permitido fazer fogueira na praia como em Coruña. Alí as pessoas levam sardinhas para assar, bebidas, sofás, cadeiras, mesas, etc para curtir durante toda a noite.
Vários rituais são mantidos. Um que me chamou a atenção foi o do banho de flores. Um dia antes da noite de São João saem para colher as rosas. Mas atenção, para esse "banho" existe umas determinadas flores. Então não adianta sair por ai colhendo todas as vê pela frente. Assim as mulheres mais velhas vão ensinando as plantas para @s mais nov@s, que geralmente também são mulheres.
Depois da colheita coloca-as em uma vasilha com água e deixá-as sob o luar durante toda a noite. Pela manhã lava o rosto com essa água para limpar as impurezas. 
Parece ser uma festa animada. Amanhã vai fazer bom tempo e a lua está se agigantando no céu.
Agora o que nos resta é preparar os rituais e esquentar os animos... a festa é grande e é preciso aguentar até  às 9h da manhã, quando sai o primeiro trem de Coruña à Santiago de Compostela. 



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segunda-feira, 21 de junho de 2010

motivo para se reunir

Jogo do Brasil na copa do mundo segue sempre os mesmos preparativos: bebida à vontade, para não ter o perigo de faltar. Uns tira gosto, pra também não ficar só bebendo  né, e claro, ligar para @s amig@s, mesmo que estas estejam distantes. Tão distantes que não possam chegar à tempo da partida e nem da comemoração.

Não importa. Jogo da copa do mundo tem que ser com as amigas, mesmo que seja por skype.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

Enorme, magnifico, aterrorizante,sofrimento, morte, fome, triste... Sentimentos que a guerra traz, representados por Picasso que nos faz lembrar de ela não precisa existir.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Cada dia que passa me dou conta que amo mais.
Esse é o tema que move as pessoas, quiça o mundo, todos os seres.
Me movo por amor. E mesmo sem saber direito, foi por ele que cheguei até aqui. Um lugar desconhecido, uma vida nova. 
E por incrível que pareça me apaixono mais cada vez que acordo. Me sinto contente cada vez que o vejo. E tenho vontade de viver intensamente toda vez que pensamos no futuro. 
A renovação se faz no dia a dia, na construção das ações e na doação de si para existir o nós.

quarta-feira, 19 de maio de 2010


"A luta para ampliar o mundo da beleza, da não-violência, da tranqüilidade é uma luta pacífica. A insistência nestes valores, em restaurar a terra como meio ambiente não é apenas uma idéia romântica, estética, poética que concerne unicamente aos privilegiados: é hoje uma questão de sobrevivência."


(Herbert Marcuse)

domingo, 25 de abril de 2010

Lizeira

Lizeira solução venda da minha força de trabalho ( única coisa que possuo)


Processo:

Buscar um@ comprador@ (burguês de baixo escalao)

Procura, procura procura.....


Proposta proletária: competência, responsabilidade, habilidades......

Proposta burguesa: muito trabalho, muitas horas, pouco salário

Pensamento proletário: aceitar para depois tentar mudar

Pensamento burguês: vamos ver do que é capaz



Dia a dia:

Trabalho + trabalho+ trabalho+ trabalho+ trabalho
+
Produtividade
+
Produtividade
+
Rapidez
+
Rapidez


Final do mês miséria de salário


Resultado busca de novo trabalho e garantindo o anterior
=
Trabalho +trabalho+ trabalho+ trabalho+ trabalho
+
Produtividade
+
Produtividade
+
Rapidez
+
Rapidez
+
Busca de trabalho ( testes= mais trabalho)


Resultado: trabalhador@ cansad@ de trabalhar em troca de um salário de miséria


Conclusão: trabalhador@ cansad@ 20h de trabalho + 2h de sono+ 2h de tarefas domésticas



Conseqüências?

sábado, 3 de abril de 2010

Silenciar

Cá estou eu, mais uma vez, a pensar sobre o tema da linguagem.

As palavras são carregadas de significados, sentidos, intenções. E o silêncio? Que silêncio doloroso tivemos na última aula. Que significado tem esse silêncio? Assim como as palavras, a falta delas também pode significar algo. Mas o que seria? Entendo que a turma não seja muito participativa, mas nessa disciplina ultrapassa os limites.

Para algumas “de fora” se explica porque o povo galego é sofrido, retraído, se expõe pouco. E no caso das mulheres, ainda mais. Será?

O silêncio, ou a falta de palavras, discursos, também são formas de se expressar, faz parte da linguagem. Seria para expressar rebeldia, indignação? Ou timidez, não se sentir a vontade, incomodada. Eu me silencio quando estou insegura. Seria então insegurança?

Alguns discursos tentaram responder ao silêncio instalado. Mas nenhum foi suficiente forte para explicá-lo ou justificá-lo.

O silêncio também seria uma forma feminina de linguagem? Já que é tomado por muitas de nós para diminuir ou acatar alguma forma de opressão?

Quando alguém fala gritando, com um tom agressivo, nervoso com outra pessoa, quer dizer que tem um poder, ou se sente no poder. Do outro lado, está ou estaria quem não tem poder. Este ou esta, diante de uma fala de tom alterado, tem algumas opções: responde com o mesmo tom. Isso acontece, geralmente, quando a pessoa se sente com igual poder que a outra. Responde de forma calma, com um discurso tranqüilizador com intuito de que @ outr@ entenda que não adianta alterar a voz para mudar a situação de poder entre as duas pessoas, seja hierárquica ou não. Também se pode responder com um silêncio. E este pode significar duas coisas distintas e, até, opostas. Uma pode ter sentido de submissão e a outra de indiferença, recusa frente à atitude do outro ou outra.

As mulheres que sofrem violência pelo feito de serem mulheres estão deixando aos poucos a atitude de responder com o silêncio de submissão frente à opressão sofrida. E como se faz para romper com esse silêncio? Se fala? Como se fala? Que tom se usa? Que palavras? Que linguagem, feminina ou masculina? Existe outra?

Uma fala clara, direta, concreta de que não se admite qualquer tipo de violência seria uma fala masculina?

Necessitaríamos então usar a fala masculina para nos fazer entender os nossos opressores de que não aceitamos tal submissão?

Mas a intenção não é mudar a fala para mudar a situação? Como mudar a situação através da linguagem se não nos fazemos entender quem nos oprime? É necessário nos fazer entender para mudar a situação?

Ai que difícil traçar uma estratégia lógica para acabar com as desigualdades! Se é que tem lógica montar alguma estratégia.

Mas de uma coisa tenho certeza. Não podemos silenciar diante de qualquer desigualdade. Seja na língua que for. O silêncio tem dupla cara, e sobre o tema das desigualdades não se pode deixar dúvidas.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Redemption song

 Old pirates yes they rob I
Sold I to the merchant ships
Minutes after they took I
from the bottom less pit
But my hand was made strong
By the hand of the almighty
We forward in this generation triumphantly
All I ever had is songs of freedom
Won't you help to sing these songs of freedom
Cause all I ever had redemption songs, redemption songs

Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds
Have no fear for atomic energy
Cause none of them can stop the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look
Some say it's just a part of it
We've got to fulfill the book


Won't you help to sing, these songs of freedom
Cause all I ever had, redemption songs,
redemption songs, redemption songs

Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds
Have no fear for atomic energy
Cause none of them can stop the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look
Yes some say it's just part of it
We've got to fulfill the book

Won't you help to sing, these songs of freedom
Cause all I ever had, redemption songs
All I ever had, redemption songs
These songs of freedom, songs of freedom

                          Bob Marley  



                                        

Se tudo pode acontecer

"Se tudo pode acontece
se pode acontecer
qualquer coisa
um deserto florescer
uma nuvem cheia não chover
pode alguém aparecer
e acontecer de ser você
um cometa vir ao chãoum relâmpago na escuridão
e a gente caminhando
de mão dada
de qualquer maneira
eu quero que esse momento
dure a vida inteira
e além da vida
ainda de manhã
no outro dia
se for eu e você
se assim acontecer"

quinta-feira, 11 de março de 2010

¿Cuando empezó la opresión sobre las mujeres? ¿Porque esa opresión es globalizada?

¿Es posible contestar a esas preguntas de forma coherente? ¿Existen posibles respuestas?

Esas preguntas me levan a pensar que la opresión sobre las mujeres siempre existió. Pero, me recuso a creer que algo así pueda no haber un inicio. Se afirmo que esa opresión siempre hubo, es lo mismo que decir que ella es natural, que está en la naturaleza de las relaciones entre hombres y mujeres haber una desigualdad en que siempre el primero domina el segundo.

Así me convenzo de que existe un inicio. Un inicio remoto. Un tiempo que no existía la historia. Que no existía la división del trabajo. Imagino comunidades que ni si quier tiene la consciencia de diferencia un hombre de una mujer. El ato sexual no tiene sexo, es colectivo o de dupla, sean entre hombres, mujeres, o entre mujeres y hombres. Por eso, tampoco existe la consciencia de que solamente el colectivo de mujeres tiene la capacidad de procrear, generar seres como eles mismos. Esas comunidades son colectoras, todos hacen los mismos trabajos, incluso del cuidado con las niñas y niños.

A través de la capacidad humana de aprender, acumular conocimiento, reflexionar y planificar la acción, las comunidades desarrollan estrategias para producir alimentos. Construyen herramientas de caza que a los pocos van avanzando y se especializando. Ahí, inicia una especie de división del trabajo, pero no del sexo.

Cuando digo “a los pocos”, me refiero a un proceso histórico social que lleva muchos años.

Una cosa interesante de pensar es cuando la procreación deja de ser un simple acontecimiento mágico y se torna una producción social. Cuando la procreación pasa a tener un valor social para la comunidad, para la sobrevivencia de la misma. En ese momento debe ser el que se tiene la consciencia de que un grupo, las mujeres, tiene la capacidad reproductiva y los hombres no. Pensando por ahí, las mujeres estarían con una ventaje en relación a los hombres.

Bien, entonces ya estamos en una sociedad un poco más desarrollada que se especializa en la producción de alimentos, o sea, la caza, ya que la agricultura viene mucho después. Entonces, pensemos: las mujeres procrean, y los hombres, en su mayoría, tienen la disponibilidad de cazar y de se especializar en eso más que las mujeres. Para cazar se desarrolla también el físico. Así, los hombres entran en la tendencia de ser más fuertes y a tener el control sobre las armas de caza. Hasta ahí, todo está bien. El problema está cuando la caza económicamente más productiva, ya que un animal genera más alimento que la coleta, gana un valor mayor que la coleta, y se especializa cada vez más, encuanto la coleta se mantiene por mucho más tiempo en la misma. Al mismo tiempo, también por un proceso lento y continuo, las mujeres se quedan en el ámbito de la coleta y los hombres se especializando en la caza. Empezamos, entonces, a configurar una división sexual del trabajo y a jerarquízala.

Con esas ideas tengo más clara la construcción social de las desigualdades entre hombres y mujeres. Una construcción hecha por mujeres y hombres de muchas generaciones que producían y reproducían relaciones sociales más complexa y jerárquicas en que las mujeres acabaron por perder, y ser interiorizadas y dominadas.

No quiero justificar aquí la dominación de las mujeres. Quiero, simplemente, encontrar una salida para la opresión que, nosotras, mujeres sufrimos y responder aquellas personas que creen que la mujer es inferior al hombre porque siempre fue así y siempre lo será.

La mejor forma que encontré, hasta ahora, es de percibir como la sociedad se construye y reconstruye. Por lo tanto, que puede cambiar. Es en ese “cambiar” que me agarro con todas las mías fuerzas para conseguir vivir en esa sociedad caótica y opresora.

sábado, 6 de março de 2010

Sindrome de sem direçao

Em uma disciplina do mestrado a professora adotou uma forma avaliativa alternativa ao exame. Após cada aula devemos escrever em nosso caderno de aula reflexoes ou comentários sobre os temas discutidos em sala. Também construiu um blog para que pudessemos debater nele o que nao consigamos fazer em clase.

Esse método pode parecer para alguns ou algumas uma forma muito relaxada de avaliaçao. No en tanto, para mim, está sendo muito trabalhosa já exige um constante pensar e repensar sobre o que se fala, se lê e se pensa. Además, tenho que ordenar esse pensamento de forma lógica e racional para que seja entendível e que possa levar a mais debate.
Porém, esse esforço sobrenatural que tenho feito para conseguir acompañar o ritmo e escrever me fez perceber uma outra coisa: a dificuldade que temos, ou tenho, que pensar sozinha. Pensar sobre algo sem que várias posiçoes sejam postas na mesa, sem que o movimento social já tenha pensado na possível soluçao, descobrir novas questoes, ou simplemente, perguntar.

Eu, que venho e defendo a organizaçao em movimentos sociais estou sofrendo por nao saber pensar sem eles, ou melhor, por me dar conta de que nao pensava, que tomava partido. Uma decepçao enorme, comigo e com os movimentos.

Nao quero aquí dizer que os movimentos impoem um pensamento, mas de alguna forma nos obriga a tomar partido, a escolher um lado.

Muitos movimentos procuram levantar debates e questoes com os seus militantes, mas isso nao quer dizer que busquem uma reflexao para além do que já se propoe certas partes. É simplismente optar pelas alternativas já dadas e pensadas por aqueles que sao espertos nisso, a direçao!

Agora entendo o que significa a sindrome de nao ter direçao. É uma angustia profunda provocada por uma inquietude somada com o medo de agir e errar. É nao saber para onde ir e nem a quem recorrer. Nao saber o que pensar, pois ja está tao acostumada a seguir o que é certo, políticamente correto, de esquerda, alternativo, coerente que quando sae um pouco dessa linha, ou se distancia, sofre.

Que bom ter sindrome de direçao! Agora posso tentar pensar, sejá sozinha ou em um coletivo.