sábado, 3 de abril de 2010

Silenciar

Cá estou eu, mais uma vez, a pensar sobre o tema da linguagem.

As palavras são carregadas de significados, sentidos, intenções. E o silêncio? Que silêncio doloroso tivemos na última aula. Que significado tem esse silêncio? Assim como as palavras, a falta delas também pode significar algo. Mas o que seria? Entendo que a turma não seja muito participativa, mas nessa disciplina ultrapassa os limites.

Para algumas “de fora” se explica porque o povo galego é sofrido, retraído, se expõe pouco. E no caso das mulheres, ainda mais. Será?

O silêncio, ou a falta de palavras, discursos, também são formas de se expressar, faz parte da linguagem. Seria para expressar rebeldia, indignação? Ou timidez, não se sentir a vontade, incomodada. Eu me silencio quando estou insegura. Seria então insegurança?

Alguns discursos tentaram responder ao silêncio instalado. Mas nenhum foi suficiente forte para explicá-lo ou justificá-lo.

O silêncio também seria uma forma feminina de linguagem? Já que é tomado por muitas de nós para diminuir ou acatar alguma forma de opressão?

Quando alguém fala gritando, com um tom agressivo, nervoso com outra pessoa, quer dizer que tem um poder, ou se sente no poder. Do outro lado, está ou estaria quem não tem poder. Este ou esta, diante de uma fala de tom alterado, tem algumas opções: responde com o mesmo tom. Isso acontece, geralmente, quando a pessoa se sente com igual poder que a outra. Responde de forma calma, com um discurso tranqüilizador com intuito de que @ outr@ entenda que não adianta alterar a voz para mudar a situação de poder entre as duas pessoas, seja hierárquica ou não. Também se pode responder com um silêncio. E este pode significar duas coisas distintas e, até, opostas. Uma pode ter sentido de submissão e a outra de indiferença, recusa frente à atitude do outro ou outra.

As mulheres que sofrem violência pelo feito de serem mulheres estão deixando aos poucos a atitude de responder com o silêncio de submissão frente à opressão sofrida. E como se faz para romper com esse silêncio? Se fala? Como se fala? Que tom se usa? Que palavras? Que linguagem, feminina ou masculina? Existe outra?

Uma fala clara, direta, concreta de que não se admite qualquer tipo de violência seria uma fala masculina?

Necessitaríamos então usar a fala masculina para nos fazer entender os nossos opressores de que não aceitamos tal submissão?

Mas a intenção não é mudar a fala para mudar a situação? Como mudar a situação através da linguagem se não nos fazemos entender quem nos oprime? É necessário nos fazer entender para mudar a situação?

Ai que difícil traçar uma estratégia lógica para acabar com as desigualdades! Se é que tem lógica montar alguma estratégia.

Mas de uma coisa tenho certeza. Não podemos silenciar diante de qualquer desigualdade. Seja na língua que for. O silêncio tem dupla cara, e sobre o tema das desigualdades não se pode deixar dúvidas.

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