sábado, 25 de julho de 2009

Gênero e Poder

Essa é uma resenha do texto: Gênero e poder de Valéria Silvana Faganello Madureira. O texto trata dos conceitos de gênero e poder e de como eles estão relacionados. A autora inicia afirmando que existe diferenças entre homem e mulher. A diferença básica é o sexo, no entanto, essa diferença é transformada em desigualdades sociais que são naturalizadas. O conceito de gênero surge na década de 80 em um cenário em que os estudos feministas se centravam na mulher e tinha um caráter de denuncia da opressão vivida pelas mulheres. Os estudos de gênero vieram para acentuar as distinções entre o sexo e o que é socialmente construído para cada sexo, ou seja, diferenciar os sexos homem e mulher, dos papéis construídos historicamente, socialmente e culturalmente para os sexos, como o feminino e o masculino. Além de acrescentar as relações entre homens e entre mulheres como sujeitos diversos e construídos nas relações sociais. A autora introduz no seu texto dois conceitos importantíssimos quando tratamos de gênero, que é a identidade e os papeis. O primeiro por entender que ao chegarmos ao mundo, a sociedade através, principalmente, das suas instituições, nos impõem uma forma de agir, vestir, comportar-se, pensar que é diferenciada pelo sexo que temos, não levando em conta as outras formas de construção de identidade. E o segundo pelo fato de existir um padrão ideal tanto para mulher, o feminino, quanto para homem, o masculino, que exclui os sujeitos que não se enquadram nesses padrões. Existem autores que compreendem a identidade dos sujeitos como plural, construída constantemente, podendo ser contraditórias, inacabadas e fragmentadas. Concordo com essa idéia, pois acredito que a construção dos indivíduos se dá de maneira continuada ao longo da vida e não em um dado momento, e essa construção não é clara, convivendo com contradições, com inovações, com o antigo. Também concordo com a autora quando considera a dimensão “espaço-temporal” relacionada às sociedades distintas em trajetórias diversas que impossibilita a universalização do conceito de gênero em todas as sociedades. Assim como as concepções de mulher/homem, de feminino/masculino podem ser deferentes dentro do uma mesma sociedade. A polaridade entre o masculino e o feminino é apenas uma das dicotomias que vivemos na sociedade, tendo dificuldades na desconstrução dessa forma de perceber o mundo. Essa lógica binária dificulta também à compreensão do gênero que propõe a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade das relações sociais, negando a produção de desigualdades e de discriminações que geram os pré-conceitos. As relações de poder que se instauram nessa dualidade são elementos chaves para entendermos o conceito de gênero. Não tendo como referência o poder centralizado e sim o dinâmico que tem como condição indispensável a liberdade. Essa dualidade tem diferentes relações de poder formando uma nova dualidade, o dominador e o dominado que nas relações entre homem e mulher o dominador é o homem e a dominada é a mulher. Essa relação é considerada como normal, verdadeira que acaba por servir de referência, padrão para a construção dos novos sujeitos. Concordo com Saffioti quando coloca gênero, etnia, e classe social no mesmo patamar e que essas relações estão entrelaçadas de tal forma que é impossível a sua separação ou comparação nas relações de poder e devem ser levadas em conta na análise de uma sociedade igualmente. As relações de gênero nos possibilitam entender que os diferentes não são iguais e nem desiguais, apenas diferentes, e que as relações sociais são construções humanas que estão em constantes mudanças, abrindo possibilidades para a transformação dessas desigualdades para o respeito às diferenças.

Nenhum comentário:

Postar um comentário