terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Eu reconheço, tenho medo

Pensar, atuar e reflexionar sobre o processo de transformação social é apenas uma parte da tarefa revolucionaria. Sem dúvida é a que mais se fala e se conhece entre @s militantes. É aquela em que atuamos de forma coletiva por um objetivo maior, em busca dos nossos sonhos e utopias. No entanto, existe outra parte que está mais oculta. Provavelmente porque é vivida a um nível mais íntimo, pessoal e solitário, portanto, mais dolorosa.

Quando militava por justiça, igualdade e sustentabilidade pensava que essas duas partes da luta (coletiva e individual/pessoal) eram inseparáveis. Na verdade, não imaginava que pudessem existir duas. Militava pelo máximo, pensando no processo de uma forma racional e objetiva para alcançar as aspirações coletivas que incidiriam sobre as individuais.

Depois de me inserir no mundo do trabalho capitalista, em que se faz necessário vender a força de trabalho em troca de um salário que está ditado pelo mercado (jogo da demanda e oferta), percebi que a relação militante – trabalhadora não necessariamente podem ir juntas. Muitos fatores entram em jogo e é preciso ter muito claro os seus valores para poder agüentar a pressão.

Confirmei na pele a idéia de que é preciso sentar as bases nas teorias e idéias das quais si crê para poder dar os primeiros passos contra a classe capitalista de forma direta, que está concretizada na pessoa a quem chamamos chefe.

Assim mesmo, duvidei, refleti, ponderei, temi. Passei pela dura fase de reconhecer que tenho direitos, mas que podia não usufruir-los pelo fato de temer. E o mais duro é reconhecer que temi aos capitalistas. Temi muito, e por vários motivos, passando pelo econômico, pelas relações pessoais, pela falta de informação, pelo processo inseguro, pela falta de capacidade coletiva de ação e pelo futuro duvidoso e incerto.

Essa é aparte oculta pela qual @s trabalhador@s passam antes de reivindicar seus direitos. Direitos que são mínimos e insuficientes para a classe trabalhadora. Mas que mesmo assim, são extremamente difíceis de serem desfrutados, mesmo quando eles já estão declarados em convenções, constituições, convênios e acordos.

É nesse momento de fraqueza d@s militantes que os coletivos organizados como sindicatos e movimentos sociais devem incidir como espaço de segurança, fortalecimento e apoio pessoal, porque no final das contas a decisão é d@ trabalhador@ e as conseqüências também, que desde logo sempre tem uma boa parcela negativa.  

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